Deixem-me ao menos Subir As Palmeiras (01)
Deixem-me ao menos Subir As Palmeiras (Parte 02)
Deixem-me ao menos Subir As Palmeiras (03)
Criticas, Sobre o filme
DEIXEM-ME AO MENOS SUBIR ÀS PALMEIRAS
Em Moçambique, o cinema de libertação
incluía apenas documentários, com excepção de um filme de ficção que tinha uma
trajetória singular: Deixem-me ao Menos Subir às Palmeiras, longa-metragem
dirigida por Lopes Barbosa, de 1972.
O que faz Deixem-me ao Menos Subir às
Palmeiras singular não é que tenha sido produzido sob o sistema colonial, mas
que foi o único filme que realmente sugeriu a luta armada como um meio legítimo
de lutar contra o colonialismo português. Foi também o primeiro filme em que os
personagens falaram em Ronga, uma das línguas faladas em sul de Moçambique.
O Deixem-me ao Menos Subir às Palmeiras
é um filme de libertação e o seu público-alvo são os Moçambicanos,
especialmente os trabalhadores. “O filme dirige-se a essa camada social” – seus
falantes em ronga [ ... ]; uma estratégia narrativa essencialmente visual, a lentidão,
o simbolismo transparente de situações, o direcionamento de uma leitura que não
manipula, para além das experiências técnicas específicas necessária à
narrativa.
Lopes Barbosa provavelmente foi o
primeiro diretor a se preocupar com o público moçambicano, e com a criação de
uma nova linguagem fílmica dirigida posteriormente pelo Instituto de Cinema de
Moçambique em 1976, no despertar da independência. Deixem-me ao Menos Subir às Palmeiras...
é uma obra que transcende a questão dos nacionalismos e se coloca na dimensão
da humanidade.
Fá-lo na lógica de um internacionalismo
marxista, mas antecipando a hibridez que os estudos pós-coloniais e o
culturalismo colocaram no centro da discussão académica. Julgo que é
referencial enquanto obra nascida do encontro do autor com as culturas angolana
e moçambicana por via da interiorização destas e pelo processamento a que Lopes
Barbosa as submeteu através do processo fílmico.
Daí surgiu um projeto a que deu a forma
cinematográfica que lhe pareceu mais adequada para um encontro da sua
sensibilidade criativa e dos não-atores com um público com uma cultura visual
distinta, nunca antes visado como audiência específica de uma criação
cinematográfica que não veiculasse a ideologia do Estado Novo.
Deixem-me ao Menos Subir às Palmeiras...é
notável como híbrido: ponto de encontro das literaturas de territórios que têm em comum a fixação
da desumanização por via da colonização,
encontro também com uma música que lhes sustenta a voz e a tradução da busca do
melhor modo de expressão, em imagens, de ideias e emoções destinadas a
partilhar com um público de sensibilidade não formatada pelos padrões ocidentais.
O seu «desalinhamento» corresponde a uma
«marginalidade» do autor que, apesar de ter sido convidado para participar no
ciclo sobre Cinema Novo que a Cinemateca organizou na década de 80, não fez
nunca parte integrante da «margem ao centro».
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