terça-feira, 20 de setembro de 2016

No início desta comunicação com os meus amigos (e amigas), usando como suporte o actual blog, quero dedicar-lhes este pequeno conto, que pela sua natureza “insólida”, atinge ambos os sexos. Espero que se divirtam. Grande abraço.




AS GÉMEAS

                                                                        

Nina e Filipa, eram sempre o centro das atenções, estivessem onde estivessem.
Tinham dezassete anos e irradiavam feminilidade, o que noutras palavras queria dizer: eram muito bem feitas, fisicamente. Parecia que tudo estava no seu devido lugar!
De cabelos longos, pestanudas e mamudas, por onde passassem irradiavam beleza mais do que suficiente para as tornar o centro das atenções! E também eram iguaizinhas a ponto de não se saber quem era uma e quem era outra!
Tinham um encanto qualquer -  misterioso, podemos assim dizer -  que fazia com que não houvesse nenhuma rapariga que não quizesse fazer amizade com elas.
Mas de onde vinha essa atracção? Ninguém sabia.
Só se sabia que erradiavam tal vibração que, inclusive, havia raparigas que chegavam ao ponto de chorar se não conseguissem chegar próximo delas. Pior ainda, se fossem recusadas como suas amigas.
O mistério adensou-se quando a certa altura uma dessas amigas, a Paula, miúda de 16 anos, apareceu grávida! Como ninguém lhe conhecia namorado certo, a não ser pequenos namoricos inofensivos, o mistério mais se adensou quando Paula caiu de cama, e pelo que se dizia, a sofrer de mal de amores e sabem por quem? Exactamente, por uma das gémeas, a Nina!
O que teria a Nina a ver com aquela gravidez era o que toda a gente especulava!
Sem se entender bem por quê, a Paula morria de amores por Nina ao ponto de se recusar comer e -  pasme-se! -  dizer, permanentemente, preferir morrer!
Como não havia explicação para estas diatribes os respectivos pais tiveram de intervir e, de conferência em conferência entre portas, resolveram que destino dar à pobre Paula.
Só que não evitaram que transpirasse para o exterior, em pequenos rumores, o que tinham decidido: que a gravidez da Paula teria de ser interrompida!
Aparentemente ninguém viu nenhum mal nisso! Não era a primeira vez que uma gravidez indesejada era interrompida. Mas era assim tão simples? Não, não era. E não foi.
Só que externamente, de concreto, ninguém compreendeu o que se estava a passar-se e muito menos o alcance do que foi desencadeado!
E a vida placidamente continuou o seu curso.

As gémeas acabaram por mudar de residência.

O que todo mundo estranhou foi a rapidez dessa mudança.
Parecia que a família estava a fugir de qualquer coisa tal a velocidade que imprimiram ao carregamento dos seus haveres no carro contratado para a mudanca. Não conversaram praticamente com ninguém e sobre o novo endereço nem pensar em o divulgá-lo!
A desculpa que transpirou à última hora foi que iam residir numa outra província, próximo da casa de outros familiares e depois, possivelmente, até iriam residir para o estrangeiro! Estrangeiro? Novamente ninguém entendeu patavina!
Espera lá, aqui há gato! Foi o que toda a vizinhança começou a murmurar entre dentes! E num àpice passou-se à congeminação de teorias de conspiração!  
Não, não havia dúvidas, a percepção era unánime: qualquer coisa de muito insólito estava a passar-se! Mas, o que seria?
Ninguém atinava com a possível explicação do imbróglio!
Bom, sobrava a Paula, e foi para ela que todas as atenções se viraram.
Começaram a fazer-se apostas – só entre mulheres, claro! - sobre quem seria a primeira a descobrir o mistério que encobria a relação com a gémea!
E, de avanço em avanço, foi da dona Eugénia, uma amiga de peito de dona Otília, mãe da Paula, que veio a explosão da verdade… Explosão da verdade? Sim, era mesmo uma explosão o que descobriram sobre as gémeas!
Dona Eugénia até sentia um arrepio pelas costas quando pensava no assunto!
A verdade das gémeas, há tanto tempo escondida, saltou para o domínio público e a sua revelação teve mesmo o efeito de um grande estrondo!
Aí vai o que foi descoberto: as gémeas eram hermafroditas.
Herma, quê?
Muitas mulheres nem sabiam do que se tratava!
Foi preciso ir ao dicionário para terem uma explicação mais cabal sobre a anomalia. Anomalia? Sim, aquilo era uma anomalia!
No princípio a própria dona Eugénia nem conseguia explicar o que tinha ouvido da boca da vizinha!
Era qualquer coisa que tinha a ver com homem; ela mesmo não havia entendido muito bem, logo não sabia explicar direito... e ruborizava-se quando falava do assunto!
Mas que pouca vergonha! Este mundo estava perdido! Podia lá ser uma mulher também poder ser homem... ao mesmo tempo? E benzia-se!
Fora-lhe pedido segredo absoluto para não comprometer ainda mais a pobre da Paula. Só que isso de segredos na boca da dona Eugenia era a mesma coisa que pedir que o dia não nascesse ou a noite não caísse!
No dia seguinte toda a vizinhança já estava a par do segredo das gémeas, guardado a sete chaves durante 17 anos: as meninas tinham dois sexos!
Exactamente, corresponde exactamente aquilo que ouviram: as gémeas eram, simultaneamente, homem e mulher! Ou melhor, eram mais mulheres que homens! Nesse aspecto particular não lhes faltava mesmo nada, convém frizar!
O problema - mas parece que também ai não havia nenhum problema uma vez que toda a família já estava habituada a conviver com a circunstância -  as meninas eram tambem meninos! 
Nem mais, tinham uma pilinha!
Espera, também não era bem esse o caso!
Segundo o que a dona Eugénia também conseguira apurar, a pilinha não era bem uma pilinha, era mais uma pilona! Exactamernte, era uma pilona bem grossa, dura e enorme!
E aí, a dona Eugénia quase teve um chilique… Grande e dura!
Como ela suspirou... a ponto de ficar em transe! Grande e dura... que saudade! E veio-lhe à memória fragmentos do passado, dum passado bem longíncuo e pelo vistos também de muita promiscuidade à mistura! Como ela gozou com essas lembranças! E que pena não poder voltar a vivê-las na actualidade!  
Bem, o escândalo finalmente rebentou e a pobre da Paula não teve outro remédio senão refugiar-se na casa dum famíliar distante, longe daquela vizinhança fofoqueira, ávida de querer saber pormenores sórdidos sobre algo que era do fôro privado!
Como é que o faziam! Uma mulher com outra mulher…
Até chegaram ao ponto de perguntar se não haveria nenhuma fotografia que as ajudassem a compreender melhor o fenómeno!
Bom, o tempo passou e a Paula não tirou o bébé. Parece que se recusou terminantemente. O amor que sentia pela gémea era tal intensidade que resistiu à vontade dos progenitores e não se deixou abortar.
Na zona, ninguém mais ouvir falar de Nina e Filipa mas todo mundo ficou de antenas ligadas na esperança de voltar a saber notícias delas.
E estas não se fizeram esperar!
Quando toda a gente já pensava nada haver a dizer sobre o trajecto das implacáveis gemeas, eis que alguém trás novas fresquinhas sobre as suas tropelias.
Desta vez parece que tinha calhado a vez aos rapazes! Nem mais!
De namorico em namorico as gémeas voltaram a ficar famosas, desta vez por se terem envolvido com rapazes! O quê? Só isso? Não, não foi só isso!
Parece que os machos não se tinham apercebido com quem estavam a lidar e, vai dai, parece que foram... “estuprados”!
Tudo mundo acabou numa risota pegada!
Ninguém estava a espera dum desfecho desses!
Já tinham ouvido muita coisa mas parece que ninguém ainda tinha pensado que os rapazes pudessem ser violados... por trás, pelas namoradas!
Era demasiado insólito para ser verdade mas pelos vistos era a verdade mais verdadeira!
Aquelas raparigas eram um perigo público!
Os rapazes que se cuidassem!
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário