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AS GÉMEAS
Nina e Filipa,
eram sempre o centro das atenções, estivessem onde estivessem.
Tinham dezassete
anos e irradiavam feminilidade, o que noutras palavras queria dizer: eram muito
bem feitas, fisicamente. Parecia que tudo estava no seu devido lugar!
De cabelos
longos, pestanudas e mamudas, por onde passassem irradiavam beleza mais do que
suficiente para as tornar o centro das atenções! E também eram iguaizinhas a
ponto de não se saber quem era uma e quem era outra!
Tinham um encanto
qualquer - misterioso, podemos assim
dizer - que fazia com que não houvesse
nenhuma rapariga que não quizesse fazer amizade com elas.
Mas de onde vinha
essa atracção? Ninguém sabia.
Só se sabia que
erradiavam tal vibração que, inclusive, havia raparigas que chegavam ao ponto
de chorar se não conseguissem chegar próximo delas. Pior ainda, se fossem
recusadas como suas amigas.
O mistério adensou-se
quando a certa altura uma dessas amigas, a Paula, miúda de 16 anos, apareceu
grávida! Como ninguém lhe conhecia namorado certo, a não ser pequenos namoricos
inofensivos, o mistério mais se adensou quando Paula caiu de cama, e pelo que
se dizia, a sofrer de mal de amores e sabem por quem? Exactamente, por uma das
gémeas, a Nina!
O que teria a
Nina a ver com aquela gravidez era o que toda a gente especulava!
Sem se entender bem
por quê, a Paula morria de amores por Nina ao ponto de se recusar comer e - pasme-se! - dizer, permanentemente, preferir morrer!
Como não havia explicação
para estas diatribes os respectivos pais tiveram de intervir e, de conferência
em conferência entre portas, resolveram que destino dar à pobre Paula.
Só que não evitaram
que transpirasse para o exterior, em pequenos rumores, o que tinham decidido: que
a gravidez da Paula teria de ser interrompida!
Aparentemente ninguém
viu nenhum mal nisso! Não era a primeira vez que uma gravidez indesejada era
interrompida. Mas era assim tão simples? Não, não era. E não foi.
Só que
externamente, de concreto, ninguém compreendeu o que se estava a passar-se e
muito menos o alcance do que foi desencadeado!
E a vida placidamente
continuou o seu curso.
As gémeas
acabaram por mudar de residência.
O que todo mundo
estranhou foi a rapidez dessa mudança.
Parecia que a
família estava a fugir de qualquer coisa tal a velocidade que imprimiram ao
carregamento dos seus haveres no carro contratado para a mudanca. Não conversaram
praticamente com ninguém e sobre o novo endereço nem pensar em o divulgá-lo!
A desculpa que
transpirou à última hora foi que iam residir numa outra província, próximo da casa
de outros familiares e depois, possivelmente, até iriam residir para o
estrangeiro! Estrangeiro?
Novamente ninguém entendeu patavina!
Espera lá, aqui
há gato! Foi o que toda a vizinhança começou a murmurar entre dentes! E num
àpice passou-se à congeminação de teorias de conspiração!
Não, não havia dúvidas,
a percepção era unánime: qualquer coisa de muito insólito estava a passar-se! Mas,
o que seria?
Ninguém atinava
com a possível explicação do imbróglio!
Bom, sobrava a
Paula, e foi para ela que todas as atenções se viraram.
Começaram a
fazer-se apostas – só entre mulheres, claro! - sobre quem seria a primeira a
descobrir o mistério que encobria a relação com a gémea!
E, de avanço em
avanço, foi da dona Eugénia, uma amiga de peito de dona Otília, mãe da Paula, que
veio a explosão da verdade… Explosão da verdade? Sim, era mesmo uma explosão o
que descobriram sobre as gémeas!
Dona Eugénia até
sentia um arrepio pelas costas quando pensava no assunto!
A verdade das gémeas,
há tanto tempo escondida, saltou para o domínio público e a sua revelação teve
mesmo o efeito de um grande estrondo!
Aí vai o que foi
descoberto: as gémeas eram hermafroditas.
Herma, quê?
Muitas mulheres
nem sabiam do que se tratava!
Foi preciso ir ao
dicionário para terem uma explicação mais cabal sobre a anomalia. Anomalia?
Sim, aquilo era uma anomalia!
No princípio a
própria dona Eugénia nem conseguia explicar o que tinha ouvido da boca da vizinha!
Era qualquer coisa
que tinha a ver com homem; ela mesmo não havia entendido muito bem, logo não sabia
explicar direito... e ruborizava-se quando falava do assunto!
Mas que pouca
vergonha! Este mundo estava perdido! Podia lá ser uma mulher também poder ser
homem... ao mesmo tempo? E
benzia-se!
Fora-lhe pedido
segredo absoluto para não comprometer ainda mais a pobre da Paula. Só que isso
de segredos na boca da dona Eugenia era a mesma coisa que pedir que o dia não
nascesse ou a noite não caísse!
No dia seguinte
toda a vizinhança já estava a par do segredo das gémeas, guardado a sete chaves
durante 17 anos: as meninas tinham dois sexos!
Exactamente,
corresponde exactamente aquilo que ouviram: as gémeas eram, simultaneamente,
homem e mulher! Ou melhor, eram mais mulheres que homens! Nesse aspecto particular
não lhes faltava mesmo nada, convém frizar!
O problema - mas parece
que também ai não havia nenhum problema uma vez que toda a família já estava
habituada a conviver com a circunstância - as meninas eram tambem meninos!
Nem mais, tinham
uma pilinha!
Espera, também não
era bem esse o caso!
Segundo o que a
dona Eugénia também conseguira apurar, a pilinha não era bem uma pilinha, era mais
uma pilona! Exactamernte, era uma pilona bem grossa, dura e enorme!
E aí, a dona
Eugénia quase teve um chilique… Grande e dura!
Como ela suspirou...
a ponto de ficar em transe! Grande e dura... que saudade! E veio-lhe à memória
fragmentos do passado, dum passado bem longíncuo e pelo vistos também de muita
promiscuidade à mistura! Como ela gozou com essas lembranças! E que pena não
poder voltar a vivê-las na actualidade!
Bem, o escândalo
finalmente rebentou e a pobre da Paula não teve outro remédio senão refugiar-se
na casa dum famíliar distante, longe daquela vizinhança fofoqueira, ávida de
querer saber pormenores sórdidos sobre algo que era do fôro privado!
Como é que o
faziam! Uma mulher com outra mulher…
Até chegaram ao
ponto de perguntar se não haveria nenhuma fotografia que as ajudassem a
compreender melhor o fenómeno!
Bom, o tempo
passou e a Paula não tirou o bébé. Parece que se recusou terminantemente. O
amor que sentia pela gémea era tal intensidade que resistiu à vontade dos
progenitores e não se deixou abortar.
Na zona, ninguém
mais ouvir falar de Nina e Filipa mas todo mundo ficou de antenas ligadas na
esperança de voltar a saber notícias delas.
E estas não se
fizeram esperar!
Quando toda a
gente já pensava nada haver a dizer sobre o trajecto das implacáveis gemeas,
eis que alguém trás novas fresquinhas sobre as suas tropelias.
Desta vez parece
que tinha calhado a vez aos rapazes! Nem mais!
De namorico em
namorico as gémeas voltaram a ficar famosas, desta vez por se terem envolvido
com rapazes! O quê? Só
isso? Não, não foi só isso!
Parece que os
machos não se tinham apercebido com quem estavam a lidar e, vai dai, parece que
foram... “estuprados”!
Tudo mundo acabou
numa risota pegada!
Ninguém estava a
espera dum desfecho desses!
Já tinham ouvido
muita coisa mas parece que ninguém ainda tinha pensado que os rapazes pudessem
ser violados... por trás, pelas namoradas!
Era demasiado
insólito para ser verdade mas pelos vistos era a verdade mais verdadeira!
Aquelas raparigas
eram um perigo público!
Os rapazes que se
cuidassem!

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