A REINVENÇÃO DO AMOR
A
tua impetuosidade, a tua despreparação, a tua cobardia
levaram-te
a cometer erros,
um
infinitude de erros,
que
depositaste na praia,
como
a tartaruga deposita os seus ovos,
convencida
da sua eternidade!
Tu
rolas como um seixo luzidio,
toscamente
espelhado,
lá na
praia batida pelo vento, e
de
eterno só tens o eco do seu infortúnio,
que
a maré arrasta para bem longe dos olhares
que
contemplam o horizonte
de
forma desapiedada!
A
lonjura que criaste entre ti
e o
mundo,
fazem
de ti somente um sofisma!
Outrora,
noutras idades, nunca te apercebeste
que
irias sentir o vácuo,
o esvaziar
de sentido e o
desabar
do mundo quando fosses decrépito?
A
tua derrocada foi equivalente
ao
ruir dos Impérios
e
estes quando desarmados
jazem
à mercê dos bárbaros,
dos
vândalos,
dos
criminosos,
que
esperam com infinita paciência o
momento
da sua pilhagem,
da
sua crucificação!
Sem
te aperceberes passaste e ser o invólcuro duma penumbra
e
de tanto esfaqueares o vento
este
se tornou poeira
tão
estéril como são as batidas
dum
coração que deixou de sentir
o
sentimemto do amor!
A
humanidade que poderá ainda
existir
em ti só será bem-aventurança
se conseguires
deixares de ser
um
conceito vazio
na
memória dos homens
e
nada mais te restar senão
aqueceres
as mãos nas labaredas dos livros sábios,
e
já morto de cansaço ainda te
restar
uma parcela de energia
para
ergueres o teu corpo
ferido
por hérnias de espanto
e
descarnado por séculos de embuste
religioso
te
ergueres de novo à altura de
perplexidade
do mistério da vida...
e o pranto voltar a jorrar
dos
teus olhos cegos
dando
lugar á decifração
do
que quer dizer a palavra: Amor!

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